Afinal, o que é fantástico? – Parte 09

Afinal, o que é fantástico? – Parte 09

Distopia

Chegamos ao assunto que foi (ou ainda é, na verdade) uma moda literária! \o/

Como assim moda, Lhaisa? Nunca ouvi falar disso!

Sério que não? O.o

Bom, vamos para a explicação e para os exemplos que você vai ver que com certeza conhece muitas delas mesmo que até então não soubesse que esse era o termo usado para elas! xD

Distopia, ou antiutopia, é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção, cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas, “caem as cortinas”, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações. A maioria delas tem alguma conexão com o nosso mundo, mas frequentemente se referem a um futuro imaginado ou a um mundo paralelo no qual a distopia foi engendrada pela ação ou falta de ação humana, por um mau comportamento ou por ignorância.

A literatura distópica costuma apresentar pelo menos alguns dos seguintes traços:

– Conteúdo moral, projetando o modo como os nossos dilemas morais presentes figurariam no futuro;
– Oferece crítica social e apresenta as simpatias políticas do autor;
– Explora a estupidez coletiva;
– O poder é mantido por uma elite, mediante a somatização e consequente alívio de certas carências e privações do indivíduo;
– Discurso pessimista, raramente “flertando” com a esperança;
– Violência banalizada e generalizada.

Mas, onde essas histórias distópicas  começaram?

Por mais que seja uma moda recente, distopias não são um tipo de ficção desse século. Elas apareciam em romances há algum tempo e já eram denominadas dessa forma, mas o poder desse tipo de leitura entre os jovens fez com que obras com a temática pipocassem ao ponto de chamarem tanto a atenção, parecendo uma novidade. Um grande exemplo dela na literatura é o clássico 1984, de George Orwell. Outro grande exemplo que é mais conhecido em sua versão cinematográfica é O Planeta dos Macacos. Como a primeira obra citada envolve uma discussão que vai muito além do rótulo de distopia, vamos focar na segunda:

La Planète des Singes (O Planeta dos Macacos) é um romance francês escrito por Pierre Boulle e publicado em 1963. É um exemplo de crítica social por meio da distopia. Vocês conhecem a história, não? Se não, só assista o trailer e não veja o parágrafo seguinte. Se já conhece, está livre da zona de spoilers tanto do trailer quanto do parágrafo seguinte (seja feliz lendo xD):

Diferente da versão do cinema, que é uma história mais popular (porque se você for uma criança dos anos 90 no Brasil, com certeza assistiu esse filme da sessão da tarde e também ficou chocada da primeira vez que viu o desfecho – assim como Independence Day xD), o livro começa com um casal de idosos que viajava em um cruzeiro encontrando uma garrafa. Nela existe um manuscrito de um repórter que relata chegar em um lugar onde a sociedade era toda regida por macacos, bem estilo As Viagens de Gulliver. No filme, o choque está em descobrir, ao final, que aquilo não era outro planeta, e sim a própria Terra no futuro, na cena em que o personagem principal se depara com a cabeça da estátua da liberdade. No livro, esse choque vem ao retornarmos para o casal de idosos e descobrirmos que eles são macacos (e acham a maior piada o relato da garrafa).

Então, como sabemos que O Planeta dos Macacos é uma distopia?

Ele é pura distopia! Em toda a história encontramos:

– Conteúdo moral, projetando o modo como os nossos dilemas morais presentes figurariam no futuro;
– Oferece crítica social e apresenta as simpatias políticas do autor;
– Explora a estupidez coletiva;
– O poder é mantido por uma elite, mediante a somatização e consequente alívio de certas carências e privações do indivíduo;
– Discurso pessimista, raramente “flertando” com a esperança;
– Violência banalizada e generalizada.

As distopias tiveram um bum com o sucesso de Jogos Vorazes (Ah-ah! Agora vc reconhece a moda, não? xD). Das mais famosas, seja no cinema quanto nos livros, temos também as séries Divergente, Maze Runner, Seleção, Rainha Vermelha, Starters, Prodigy insira-a-que-vc-lembrou-aqui.

Em todos esses exemplos de histórias, o que originou o mundo distópico, o ponto onde se difere do nosso, pode ter sido uma III Guerra Mundial, um vírus (uma pandemia), um colapso da natureza e vários outros desastres ou situações com o poder para modificar drasticamente o nosso mundo. Temos o exemplo de uma dessas distopias da moda que fez sucesso por um breve período de tempo: A 5ª Onda. Apesar de não ser tão popular como outras, é interessante mencioná-la por ela relatar a história de um ‘início de distopia’. Geralmente sabemos que algo grande aconteceu na história e dividiu a nossa humanidade entre o antes e o depois. Aqui sabemos exatamente como aconteceu. Seguindo essa mesma linha, os novos filmes de O Planeta dos Macacos explorou (e muito bem) esse ponto de mudança:

Bom, gente, isso tudo é distopia, e espero ter ajudado a esclarecer um pouco o assunto. Para o último post desse bate-papo todo sobre literatura fantástica, e nada mais justo do que falar sobre a Literatura Fantástica Brasileira, não? xD Até lá o/

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