Afinal, o que é fantástico? – Parte 07

Afinal, o que é fantástico? – Parte 07

Horror ou terror

Oficialmente, o horror teve sua primeira definição na literatura como romance gótico ou romance negro. Eram histórias que possuíam qualidades ligadas à literatura fantástica de provocar medo. Um critério abordado por H. P. Lovecraft, um dos principais nomes do horror literário, é o de utilizar a experiência do medo que o próprio leitor possui para criar o temor.

A literatura gótica trabalha bastante com esse critério de Lovecraft. Criando um ambiente medieval, com castelos em ruínas, bosques escuros e sombrios, e famílias da nobreza decadente, os textos góticos utilizam as crenças da época para produzir o horror. O autor Gordon Melton comenta que o gênero gótico pode ser definido como “literatura de pesadelo”.

O gênero gótico era um tipo de romance popular do século XVIII e que continuou sendo no século XIX. Oficialmente, surgiu com o conto O Castelo de Otranto (1763) de Horace Walpole. As histórias descrevem acontecimentos macabros, sobrenaturais, nos quais demônios, o diabo, vampiros, fantasmas cruzam com vítimas castas e puras em lugares incomuns, de preferência na época medieval e de noite ou em tempestades. Os seres sobrenaturais manipulam os fatos da narração transtornando a mente do personagem. Como mencionado antes, a vítima fica entre a razão e a crença até ser atacada pelas reais garras de seus vilões.

Assim como hoje a fantasia e a ficção no formato literário alimentam a indústria do cinema, o romance gótico foi uma das principais fontes nas primeiras produções cinematográficas no século XX.

Quem já não ouviu falar de Nosferatu, a versão pirata de Drácula? xD Pirata pelo seguinte motivo: o pessoal alemão não tinha os direitos autorais para usarem o conde do livro famoso. Ora, se não temos, vamos fazer nossa própria versão! E assim surgiu o Nosferatu. Para quem nunca viu o filme, ele pode ser assistido no Youtube, já que agora é um dos filmes que podem ser compartilhados gratuitamente. Dá medo? Olha, para o nosso nível de exposição ao terror de hoje em dia, você ri e muito com esse filme! Mas, procure assisti-lo com a noção de que para o pessoal da época isso tudo (desde o próprio cinema) era novidade. Então, para a época sim, ele foi apavorante.

Outra questão que é legal de abordar sobre esse filme (e que tem relação com a literatura) são as formas visuais usadas para causar o suspense/medo/horror. Preste atenção nos efeitos de sombras. Parece algo simples hoje em dia, mas para a época foi uma ideia genial e fez toda a diferença.

Pegue a pipoca e aproveite!

Outro detalhe que é bom lembrar sobre o filme: na época em que ele foi lançado os filmes ainda eram mudos. Então, apesar de vocês ouvirem trilha sonora e sons aqui nesse vídeo, eles foram acrescentados posteriormente. Nas salas de exibições sempre havia um músico ou músicos, que tocavam piano e outros instrumentos para criar a ambientação sonora do filme.

Hoje em dia, filmes como Nosferatu não nos assustam mais, mas isso não significa que não gostamos dessa brincadeira de produções do mundo do entretenimento que assustam. Temos vários exemplos de várias épocas de histórias que se tornaram um ponto de mudança para o que nos assusta, assim como esse filme antigo. A Bruxa de Blair e O Chamado são bons exemplos. No mundo dos livros, temos as obras do Stephen King, que têm o poder de nos fazer emergir na narrativa, e nos assustar justamente por estarmos nessa bolha de expectativa de suspense.

Em todos esses anos, desde a literatura gótica de séculos passados, esse tipo de produção literária não mudou em único aspecto: se utilizar dos nossos próprios medos para criar o efeito desejado durante a leitura.

No próximo post, vamos voltar um pouco para a literatura de fantasia e falar melhor sobre os autores que são grandes nomes dentro desse cenário. Por que Tolkien é considerado o pai da literatura de fantasia quando ela já existia desde muito antes? E, afinal, o que são épicos? Tudo será explicado, não percam! xD

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